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A Transformação Digital

Segundo Charles-Edouard Boueé quando tentamos definir o que é uma "organização digital", a primeira imagem que nos vem à mente são dispositivos tecnológicos: funcionários com laptops em punho, permanentemente conectados a um fluxo de informações compartilhadas em tempo real, sobre plataformas virtuais, comunicando constantemente com clientes ou fornecedores.

 

Nesse contexto as pessoas trabalham a partir de qualquer lugar, com outras pessoas que nunca ou quase nunca encontraram pessoalmente. A digitalização ou o mundo digital é mais do que uma mudança de ferramentas.  Práticas cotidianas, estruturas de trabalho, relações de subordinação, compartilhamento de informações, interação com o cliente, e até mesmo da concorrência também são assim transformadas. Isso significa abraçar uma nova cultura e mentalidade, onde a hierarquia desaparece e a inovação acontece através de redes.

 

 

Ao nível da empresa, é bastante claro que a maturidade digital é sinônimo de crescimento econômico mais forte e um maior nível de bem-estar para os funcionários Descobrimos que as empresas mais maduras digitalmente cresceram a nível de receita em seis vezes a taxa de suas contrapartes menos maduras. Além deste impacto financeiro, os empregados nas empresas digitalmente avançadas também relataram um índice 50% maior de bem-estar no trabalho. Organizações maduras em termos digitais são caracterizadas por uma cultura menos hierárquica, onde os trabalhadores beneficiam de uma autonomia real e a possibilidade de expressar a sua criatividade.

 

No entanto, devemos ter cuidado e não superestimar a “bênção” de transformação digital. Por exemplo, estamos apenas começando a entender os efeitos da digitalização sobre o desemprego.  Não surpreendentemente, empregos pouco qualificados são os mais ameaçados, mas até mesmo empregos intermédios também podem ser afetados. Estes incluem funções administrativas ou de gestão do meio, que tenham prestado historicamente empregos para a classe média.

 

O desafio da gestão é descobrir como capturar os benefícios da digitalização, minimizando os custos - e ter certeza que esses custos são compartilhados e não suportados desproporcionalmente por um grupo.

 

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Isso coloca a responsabilidade adicional sobre os gestores, em termos de antecipar mudanças nas habilidades, adaptando as políticas de treinamento e capacitar o pessoal - em outras palavras, garantir que a digitalização torna, dentro das empresas, com uma vertente de vencedores muito mais que perdedores. 

 

Em primeiro lugar os gestores precisam avaliar o propósito de sua organização e a sua visão. Para isso, a resposta a essas questões é fundamental: Quais são os objetivos da organização? Por que é preciso a transformação digital para alcançá-los? Este, por sua vez dá origem a perguntas mais difíceis: Quais empregos serão cruciais para a empresa nos próximos anos? Quais empregos serão menos crucial? Quantos empregados são potencialmente afetados? Como devemos adaptar as nossas políticas de formação e de recrutamento?

 

A transformação digital é reconhecer que os dispositivos técnicos não são questões principais. Em vez de projetar ferramentas e implementá-las em uma abordagem de cima para baixo, os gestores devem confiar na maturidade digital da sua equipe, que é muitas vezes maior do que eles podem imaginar.

 

O desenvolvimento de uma organização vai depender de como irão promover as práticas digitais. Isso significa mudar passo a passo, a partir das características tradicionais, modular as novas práticas, com uma aliança de equipas autónomas e multidisciplinares.  Gerentes e funcionários terão de navegar na frente digital juntos. Isso requer um novo conjunto de habilidades de liderança. Em última análise, o sucesso na era digital não reside na eficiência da tecnologia, mas na destreza e capacidade de adaptação das pessoas que exercem dele.

 

Por: Cheila Delgado

Fonte: https://hbr.org/2015/09/digital-transformation-doesnt-have-to-leave-employees-behind